Caminhando Rumo à Igualdade

A humanidade, à princípio,

Era disforme e irregular,

Como um pedregulho qualquer

Cheio de pontas, caroços, sulcos e arestas,

Que tornam a sua superfície

Um relevo acidentado e descontínuo.

 

Com o tempo

Esse pedregulho foi rolando, rolando,

E com isso o atrito causado com o solo

Foi machucando sua superfície,

Quebrando e desgastando as pontas,

Britando os caroços,

Arredondando as arestas,

E preenchendo os sulcos.

 

À medida que o pedregulho ia rolando,

Mais e mais sua superfície

Era brutalmente modificada

Se tornando mais e mais uniforme,

Pois já não existiam grandes pontas,

Nem grandes sulcos ou saliências.

 

À medida que o pedregulho ia rolando,

Mais e mais ia ficando parecido com uma esfera,

Com sua superfície

Cada vez mais uniforme e regular.

Conseqüentemente,

Havia cada vez menos atrito com o solo,

E o pedregulho podia rolar mais livremente.

 

A humanidade é esse pedregulho,

E as irregularidades que existem em sua superfície

São todas e quaisquer desigualdades

Que existem entre as pessoas,

Entre os povos

E entre as nações.

 

São o racismo, a desigualdade social,

As desigualdades cultural e tecnológica,

As desigualdades religiosa e filosófica,

As desigualdades ambiental e governamental,

As desigualdades de recursos entre os povos,

Os extremos como

O machismo e o feminismo,

A direita e a esquerda,

A riqueza e a miséria,

E muitas outras pontas, saliências,

Caroços, frestas e arestas

Contidas na superfície

Deste pedregulho chamado humanidade.

 

Com uma superfície tão irregular,

Esse pedregulho rola com dificuldade,

E sua superfície é desgastada e machucada

Pois o atrito com o solo é muito.

Ainda falta muito

Para que sua superfície seja nivelada a tal ponto

Que se torne uma esfera perfeita,

Porque para isso

Não deve haver nenhuma desigualdade,

Pois a superfície de uma esfera é lisa e uniforme.

 

Por enquanto ainda vemos a superfície desse

Pedregulho sendo desgastada por guerras,

Pela fome, pelas injustiças sociais,

Pelas conseqüências das desigualdades,

Que são o crime, o desemprego,

A falta de compreensão e amor,

O grande número de pessoas doentes,

Estressadas e depressivas,

E muitas outras injustiças

Cometidas pela humanidade

Para consigo mesma.

 

Nós somos a humanidade,

Portanto somos esse pedregulho.

Cabe a nós mesmos irmos desprendendo

As pontas e arestas mais difíceis,

E ir preenchendo os sulcos e buracos,

Para que o quanto antes a humanidade

Vá tomando a forma de uma esfera perfeita.

 

Só assim poderá rolar livremente,

Sem que sua superfície seja ferida pelo atrito.

Só assim poderá ter a certeza de um futuro estável,

Em paz e em harmonia.

Sem temer que com o atrito excessivo e prolongado,

Rolando aos trancos e barrancos,

Sem rumo certo,

Esse pedregulho venha a se partir

Antes de atingir a forma de uma esfera perfeita.

Por isso, o quanto mais cedo conseguirmos

Nivelar a superfície de nossa humanidade

E eliminar toda e qualquer desigualdade

Mais cedo poderemos habitar em um mundo melhor,

E formar uma humanidade melhor,

Com consciência, justiça e igualdade

 

 

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